ARAÇARI / DESIGN PELO MOVIMENTO / VERONA 2025
A forma que o software ainda não sabia executar.
Um bloco de quartzito brasileiro. Um monofio CNC de sete eixos. Um algoritmo autoral entre a liberdade da geometria e a precisão do corte. A Araçari levou esse encontro à mostra Epiphanies, sob curadoria de Raffaello Galiotto.


A pedra ocupa o espaço. A forma surpreende.
O encosto se ergue, o assento avança e as superfícies mudam de direção. Os veios atravessam essas curvas e fazem a geometria aparecer de outra maneira a cada ponto de vista. Na Araçari, o peso da pedra convive com uma impressão de movimento.
Produzida a partir de um bloco maciço do quartzito brasileiro Capolavoro Picasso, a peça chegou à Epiphanies, em Verona, em 2025. A mostra reuniu quatro projetos internacionais selecionados sob curadoria de Raffaello Galiotto, aproximando designers, arquitetos e empresas da indústria da pedra.
Para Ludson Moulin Zampirolli, a participação marcou um ponto de virada na carreira. A forma exposta tornava visível uma competência construída no encontro entre criação, geometria e fabricação.
Design. Geometria. Máquina.
Uma mesma decisão de projeto.
O desafio não estava na capacidade da máquina.
O monofio CNC de sete eixos oferecia uma liberdade de movimento situada na fronteira tecnológica da fabricação em pedra naquele momento. Mas ter os movimentos disponíveis não significava ter, no software, a informação necessária para executá-los.
Esse foi o impasse decisivo da Araçari: a geometria podia ser concebida e a máquina podia produzi-la, mas faltava construir a passagem entre as duas. Ludson desenvolveu um algoritmo para preencher essa lacuna e transformar a intenção do projeto em informação executiva.
A solução exigiu compreender a forma e o comportamento do fio diamantado, relacionando trajetórias, posição do bloco e movimentos coordenados dos eixos. O domínio da máquina passou a fazer parte da autoria do design.
A liberdade precisava se tornar coordenada.


O processo partiu do movimento da ferramenta para investigar a forma. No desenvolvimento, o prolongamento das superfícies indicava colisões. A dimensão e o posicionamento do bloco precisavam entrar nessa leitura para distinguir os obstáculos e construir uma estratégia de execução.
O fracionamento da geometria permitiu elaborar coordenadas que orientassem a movimentação do fio. O algoritmo autoral estabeleceu a ligação que faltava: uma forma complexa passou a corresponder a uma sequência que a máquina podia interpretar.
Sete eixos. A geometria chega à pedra.

O fio diamantado remove matéria enquanto a máquina coordena seus movimentos. O que aparece como superfície na obra é também consequência dessas trajetórias. Projetar a Araçari exigiu pensar a forma junto com o caminho necessário para revelá-la no bloco.
A execução foi realizada pela Decormarmi / Kreoo, com tecnologia da Pellegrini Meccanica. O resultado reuniu a investigação do designer e a capacidade industrial dos parceiros: a complexidade deixou de ser apenas uma possibilidade digital e se tornou uma peça em pedra natural.

Quando as curvas encontram os veios.


A passagem da oficina à exposição revela duas leituras da mesma obra. Na fabricação, a atenção se volta ao volume, aos cortes e às superfícies. Na peça concluída, o desenho mineral acompanha a geometria e acrescenta variações que pertencem à própria pedra.
Para arquitetos e designers, esse encontro abre uma questão concreta: como conceber uma presença escultórica sem separar a expressão do material de sua estratégia de fabricação? A Araçari oferece um caso realizado, em que a linguagem da peça nasce dessa integração.

De um desafio de execução a uma presença internacional.
Em Verona, o visitante encontrou a obra pronta. Por trás de sua silhueta estavam o modelo, a interpretação geométrica, o algoritmo e os movimentos do monofio. A curadoria de Raffaello Galiotto colocou esse percurso em diálogo com outras investigações internacionais sobre a pedra.
É essa combinação que dá à Araçari sua representatividade na trajetória de Ludson: uma obra autoral, uma solução executiva desenvolvida para realizá-la e um contexto internacional no qual ambas puderam ser apresentadas.
Design pelo Movimento: projetar também é compreender o que a máquina pode fazer — e construir a informação que permite fazê-lo.

A Araçari na imprensa.
A edição do Corriere della Sera de 19 de setembro de 2025 apresentou a Araçari com uma grande imagem e legenda em uma reportagem sobre a Marmomac. O registro documenta a presença da obra na cobertura editorial da feira.
Da bancada de desenvolvimento à página do jornal, a forma passou a comunicar uma pesquisa que une sensibilidade para a pedra e domínio de sua produção.
Ler a edição original da Marmomacchine no site da revista — matéria nas páginas impressas 18–23 (páginas 20–25 do leitor digital).
Baixar a reportagem da Araçari — Marmomacchine 02.2026 (PDF)
A revista Marmomacchine, edição 02.2026, dedicou à Araçari a reportagem La forma del movimento / The Shape of Movement, de Simone Ciapparelli, nas páginas 18–23. O texto, em italiano e inglês, aborda a geometria, os movimentos dos sete eixos e a colaboração entre design e indústria.
O processo, contado pelo autor.
Registros do desenvolvimento e relatos de Ludson Zampirolli:
Design e desenvolvimento geométrico / algoritmo: Ludson Moulin Zampirolli.
Curadoria: Raffaello Galiotto.
Execução: Decormarmi / Kreoo.
Tecnologia: Pellegrini Meccanica — monofio CNC de sete eixos.
Material: Capolavoro Picasso, Granistone.
Exposição: Epiphanies, Marmomac 2025, Verona, Itália.
Consultar o registro oficial da Epiphanies · Conversar sobre um projeto em pedra natural
